Life | Série Netflix: os ideais de um médico são abalados pelo governo

Life Netflix
Life - 2018 (Netflix/Divulgação)

Life é a mais nova série cujos direitos de distribuição foram adquiridos pela Netflix.

É uma produção sul-coreana e foi lançada nos Estados Unidos em Agosto de 2018. Até aqui está na primeira temporada com 16 episódios.

A série não é somente ambientada na Coréia do Sul como também toda a produção, além do elenco, é sul coreano.

Também, foi escrita por Lee Su-yeon, roteirista coreano aclamado internacionalmente pela série Stranger, de sua autoria.

O diretor é Hong Jong-chan, que anteriormente dirigiu Dear My Friend.

Inicialmente, a série foi distribuída na Ásia, exceto Japão e, somente em Agosto-2018 passou a ser distribuída no Ocidente.

Desta forma, esta é mais uma produção do Netflix que investe na diferença do elemento cultural oriental para captar a atenção do espectador no Ocidente.

Seguindo o streaming da cultura k-pop, Life tem tudo para ser muito bem recebida no Ocidente.

A Netflix aposta nisso, inclusive mantendo o idioma original com legendas.

Enredo de Life

O tema de Life é a rotina de médicos em um hospital universitário na Coréia do Sul, o Sangkook.

Eles vivem em constante tensão para prestar socorro, na Emergência, aos inúmeros pacientes admitidos ao hospital, muitos sem recursos financeiros.

O drama começa com a morte do diretor do hospital, Dr.Lee, que se opunha à privatização do mesmo.

Todos os médicos do hospital, que o reverenciavam, ficam muito chocados com essa perda.

Entretanto, um deles, o Dr. Ye Jin-Woo, jovem médico com princípios éticos ilibados, apesar de lamentar, esconde um segredo.

Isto porque, pouco antes da morte, ele fez uma descoberta sobre a conduta do diretor que o decepcionou muito.

Logo em seguida, parte do segredo vem à tona, quando todos são notificados de que o hospital foi privatizado.

O novo CEO decide fechar a Emergência, transferindo para o interior, grande parte dos médicos.

Todo o objetivo dele é somente lucrar com o atendimento hospitalar, sem o menor compromisso com a vida humana.

O elenco

No elenco estão jovens atores, mas já consagrados na Coréia do Sul e mesmo no Ocidente, por suas atuações anteriores.

O protagonista da série é o ator Lee Dong-wook que interpreta o Dr.Ye Jin-Woo. Este ator é muito conhecido em toda Ásia pela série Goblin, em que atuou entre 2016 e 2017.

Jo Seung-woo interpreta seu antagonista, o novo CEO do Hospital. Ele foi o protagonista da série Stranger, ganhadora do maior prêmio da TV Sul Coreana, em 2017.

Ho-jin Chun é o falecido Dr. Lee, mas que aparece na série em vários episódios em flashback.

So-Ri Moon interpreta a médica Oh Se-hwa, um equivalente coreano da Dra. Meredith Grey, de Greys Anatomy.

Crítica: Life

O advento da globalização trouxe uniformidade às mais variadas culturas, a despeito de toda diversidade.

A cultura oriental, de modo geral, tem valores morais e éticos diametralmente opostos aos da cultura ocidental. Assim, há no Oriente uma enorme diversidade cultural, dada a grande extensão territorial e, mesmo ao aspecto filosófico religioso da civilização.

Originalmente, a Coréia do Sul tem uma cultura muito peculiar e rígida. Entretanto, o espectador ocidental não se surpreende ao assistir a série.

Life, escrita, dirigida, produzida e interpretada por sul coreanos, provoca imediata empatia no público ocidental pela similitude. Todos os elementos essenciais de composição e até mesmo a interpretação se assemelha às séries sobre médicos norte-americanas, por exemplo.

De certo modo, a semelhança é tamanha que sequer a diferenciação de idiomas causa estranheza.

E.R e Greys Anatomy

Preservados alguns poucos limites, Life é uma espécie de Plantão Médico – E.R., em inglês – da Coréia do Sul.

Salvo à ausência de interações sexuais exageradas, assemelha-se até mesmo a Greys Anatomy, já que é ambientada em um hospital universitário. E, com algumas pequenas variantes, como as reverências, própria dessa cultura, ou as piadas que só pertencem ao universo coreano.

Mais pontos positivos

A trilha sonora também merece destaque. Entretanto, não tão positivamente. Isto porque ela consegue dar as cenas uma dimensão ainda mais pesada do que a própria trama pede. É densa, sombria e pesada. Talvez, seja cultural, faça parte do contexto social, mas é um ponto diferente do que estamos acostumados.

Quanto ao resto, pode-se dizer que chega a ser idêntico o modo operacional da série, em particular. Seja porque se trate da vida de médicos, o que, em geral, é semelhante em qualquer parte do mundo e em qualquer cultura.

Assim, o princípio ético norteador de preservação da vida é independente de diferenças culturais, bem como a dedicação integral dos profissionais envolvidos.

Além disso, os problemas do gerenciamento dos sistemas de saúde, público ou privado, tem se configurado como um desafio em muitos países.

Sobretudo, quando se trata de tirar proveito destas falhas. A eterna guerra do poder, do capital e do sistema, contra as necessidades elementares da vida humana. A saúde é uma delas.

Valorização da saúde

Somente alguns países da Europa Setentrional como Holanda, Dinamarca, Noruega figuram entre os melhores sistemas de saúde do mundo.

Segundo uma pesquisa feita pela Health Consumer Powerhouse, em 2017, a Holanda é o país com o melhor sistema de saúde do mundo.

No Extremo Oriente, apenas o Japão aparece. E, na Coréia do Sul, os sistemas de saúde são controlados pelo governo. O Ministério da Saúde, Bem Estar e Assuntos da Família criou o National Health Insurace – NHI, um equivalente ao SUS.

Dessa maneira, as sistemas de saúde são pagos por subsídio governamental e a taxa de recolhimento do contribuinte é muito baixa.

A população tem uma enorme demanda e o governo gasta pouco com os serviços de saúde, o que demonstra o tamanho da dificuldade.

Nesse contexto encontra-se o universo de Life: as batalhas entre o ideal da medicina versus o ideal do capitalismo – o lucro. Todavia, muitos médicos que aparentemente confessam esse ideal também estão sujeitos à sedução do dinheiro e do poder.

Em suma, Life, a série coreana, tem muito potencial para alcançar um grande público ocidental, aficionados pela nova onda K-tudo.

K-pop, K-Drama, K-tv, enfim, a Coréia do Sul entrou na disputa pelo quinhão do mercado das artes populares.

Para isso, teve, como todo o resto do planeta, que se adequar aos moldes do imperialismo ocidental.